Por que bons talentos pedem demissão: os motivos reais por trás das saídas que mais doem
- Time da Maggy

- 14 de set. de 2021
- 8 min de leitura
Atualizado: 12 de dez. de 2025

A notícia chega sem aviso. Uma das pessoas mais competentes do time pede para conversar, fecha a porta e comunica que está saindo. O impacto é imediato: surpresa, frustração e aquela pergunta que fica martelando: o que aconteceu?
Perder pessoas boas dói. Dói no orçamento, porque repor custa caro. Dói na operação, porque conhecimento vai embora. E dói no time que fica, porque a saída de alguém competente sempre levanta dúvidas sobre o que está errado.
O problema é que, na maioria das vezes, a empresa só descobre o motivo quando já é tarde demais e este artigo existe para mudar isso. Vamos olhar para os motivos reais por trás das saídas, os sinais que aparecem antes do pedido de demissão e o que fazer para reter quem realmente importa.
O que a pesquisa diz sobre por que talentos pedem demissão
Antes de entrar nos motivos, vale olhar para o que os dados mostram. Pesquisas consistentes sobre turnover voluntário apontam padrões que se repetem em diferentes setores e tamanhos de empresa.
A relação com a liderança direta aparece como fator determinante na maioria dos estudos. Pessoas não pedem demissão da empresa; pedem demissão do gestor. Quando a liderança falha em dar clareza, reconhecimento ou suporte, a porta de saída fica mais atraente.
Outros fatores recorrentes incluem falta de perspectiva de crescimento, desalinhamento entre o trabalho e os valores pessoais, sobrecarga crônica e ausência de reconhecimento. O salário aparece, mas raramente como motivo isolado. Geralmente, a insatisfação com remuneração só vira gatilho quando outros problemas já existem.
Os 6 motivos mais comuns por trás dos pedidos de demissão
1. Liderança fraca ou tóxica
Este é o motivo mais citado em pesquisas de desligamento e o mais subestimado pelas empresas. Gestores que não dão feedback, que microgerenciam, que não reconhecem ou que criam ambientes de medo afastam pessoas boas.
O talento tolera muita coisa quando confia no líder – fases difíceis, metas agressivas e até salário abaixo do mercado por um tempo. Porém, quando a relação com o gestor está deteriorada, qualquer proposta externa vira uma porta de saída.
Sinal de alerta: A pessoa começa a evitar interações com o gestor, reduz a participação em reuniões e para de trazer ideias ou problemas.
2. Falta de perspectiva de crescimento
Pessoas competentes querem evoluir. Quando olham para frente e não enxergam caminho, começam a olhar para fora. Isso não significa necessariamente promoção; significa aprendizado, desafios novos e a sensação de que estão construindo algo.
Empresas que não conversam sobre desenvolvimento perdem talentos para concorrentes que oferecem menos dinheiro, mas mais perspectiva. A estagnação é um dos principais motivos por que talentos pedem demissão, especialmente, entre profissionais no início e meio de carreira.
Sinal de alerta: A pessoa para de pedir feedback, não demonstra interesse em projetos novos e cumpre apenas o básico esperado.
3. Falta de reconhecimento
Reconhecimento não é só bônus ou promoção – é ser visto, ouvido e valorizado pelo esforço. Quando uma pessoa entrega além do esperado e a resposta é silêncio, a mensagem que fica é clara: aqui, tanto faz.
O problema se agrava quando o reconhecimento é inconsistente. Se alguns são celebrados e outros ignorados pelo mesmo tipo de entrega, o senso de injustiça corrói o engajamento. Pessoas que se sentem invisíveis não ficam por muito tempo.
Sinal de alerta: Queda de energia, respostas mais curtas, menos iniciativa e comentários irônicos sobre "não fazer diferença".
4. Desalinhamento de valores e cultura
Pessoas querem trabalhar em lugares onde se sintam parte. Quando os valores da empresa entram em conflito com os valores pessoais, o desconforto é constante. Isso pode se manifestar em decisões que a pessoa discorda, comportamentos que considera antiéticos ou um jeito de trabalhar que simplesmente não combina com ela.
O desalinhamento cultural nem sempre é óbvio: às vezes, a pessoa nem consegue nomear o incômodo, só sente que não pertence. E quando uma oportunidade aparece em um lugar que parece mais coerente com quem ela é, a decisão vem rápido.
Sinal de alerta: A pessoa fala pouco sobre a empresa fora do trabalho, evita eventos sociais do time e demonstra desconforto com decisões da liderança.
5. Sobrecarga crônica e falta de equilíbrio
Fases intensas fazem parte de qualquer trabalho; o problema é quando a intensidade vira padrão. Pessoas que trabalham consistentemente além da capacidade, sem folga ou reconhecimento proporcional, entram em desgaste.
O burnout não acontece de um dia para o outro, mas num processo. Quando a pessoa percebe que a empresa não vai mudar o ritmo, a saída vira questão de autopreservação porque talentos que se cuidam não ficam em ambientes que os adoecem.
Sinal de alerta: Aumento de faltas, queda de qualidade nas entregas, irritabilidade e comentários frequentes sobre cansaço.
6. Proposta externa irrecusável
Às vezes, o motivo não é insatisfação, e sim oportunidade. Uma proposta com salto de salário, cargo mais alto ou projeto mais interessante pode tirar até quem está razoavelmente satisfeito.
O ponto aqui é que as empresas não competem apenas consigo mesmas, e sim com o mercado inteiro. Se a proposta de valor interna não for forte o suficiente, qualquer oferta externa ganha peso e vira o empurrão que faltava, especialmente, quando a pessoa já tem pequenos incômodos acumulados.
Sinal de alerta: A pessoa atualiza o LinkedIn, começa a receber mensagens de recrutadores e comenta sobre o mercado de forma mais frequente.
Os sinais aparecem antes do pedido
A maioria das saídas não acontece do nada: os sinais estão lá; a questão é se alguém está prestando atenção. Pessoas que estão pensando em sair geralmente mudam de comportamento semanas ou meses antes de comunicar.
Redução de engajamento é o sinal mais comum: a pessoa, que antes contribuía em reuniões, passa a ficar em silêncio; quem trazia ideias, para de trazer; quem resolvia problemas, passa a só executar o mínimo. Essa mudança raramente é confrontada… e o tempo passa.
Outro sinal é o distanciamento das relações: a pessoa para de almoçar com o time, responde mensagens de forma mais seca e evita conversas que não sejam estritamente necessárias. É como se estivesse se despedindo aos poucos, sem que ninguém perceba.
Microcase: quando um talento estava pedindo socorro e ninguém percebeu
Há alguns meses, um Product Manager excelente de um ciente da Maggy começou a mudar o comportamento. Antes participativo nas cerimônias, passou a ligar o “mute mental”: falava pouco nas dailies, evitava discutir prioridades com o tech lead e parou de puxar as conversas difíceis sobre o roadmap.
A liderança atribuiu ao ritmo intenso do trimestre. Até que veio o pedido de demissão, direto e sem suspense:
“Estou há meses tentando equilibrar expectativas irreais, falta de alinhamento entre as áreas e um backlog que nunca fecha. Não sinto espaço para discutir limites.”
Nada daquilo era surpresa. O time já percebia o cansaço, a irritação crescente e o distanciamento nas reuniões.
Faltou só alguém perguntar cedo demais o que todo mundo só perguntou tarde demais: “O que está pesando em você?”
O que fazer para reter quem importa
Reter talentos não é sobre criar programas mirabolantes, e sim sobre fazer o básico bem feito e de forma consistente. Algumas ações têm impacto desproporcional quando aplicadas com seriedade.
Invista na qualidade da liderança. Os gestores precisam saber dar feedback, reconhecer, desenvolver e criar ambientes seguros – isso não é dom, mas competência que se desenvolve. Empresas que investem em formar líderes melhores retêm mais.
Converse sobre carreira com frequência. Não espere a avaliação anual para falar sobre desenvolvimento. Pergunte regularmente: “Aonde você quer chegar?", “O que te motiva?”, “O que está faltando?". Essas conversas mostram que a empresa se importa e abrem espaço para ajustes antes que a insatisfação vire decisão.
Reconheça de forma consistente. Não precisa ser público, nem caro: um "obrigado" específico e sincero já faz diferença. O importante é que o reconhecimento seja frequente, justo e conectado ao esforço real da pessoa.
Monitore a carga de trabalho. Sobrecarga crônica é escolha da empresa, não fatalidade. Se o time está consistentemente no limite, a estrutura está errada e cabe ajuste antes que as pessoas ajustem por você, pedindo demissão.
Faça entrevistas de stay. Não espere a pessoa pedir demissão para perguntar o que a faria ficar. Converse com pessoas críticas regularmente: “O que te faz continuar aqui?", “O que poderia te fazer considerar sair?", “O que a empresa poderia fazer melhor?".
A conexão entre seleção e retenção
Parte do problema de retenção começa antes da contratação. Quando o processo seletivo avalia apenas competência técnica e ignora alinhamento cultural, a empresa traz pessoas que tecnicamente entregam, mas que não se encaixam no jeito de trabalhar deste lugar.
Esse desencaixe gera atrito – a pessoa sente que não pertence e o time sente que ela é diferente. Com o tempo, a saída se torna inevitável e a empresa perde duas vezes: o investimento no processo seletivo e o tempo gasto tentando fazer funcionar algo que não ia funcionar.
Selecionar com critério significa avaliar não só o que a pessoa sabe fazer, mas quem ela é e se o momento dela combina com o momento da empresa. Empresas honestas sobre a cultura real, não a cultura do discurso, contratam menos e retêm mais.
Quando a saída é inevitável
Nem toda saída pode ser evitada, e nem toda saída deveria ser evitada. Às vezes, a pessoa cresceu além do que a empresa pode oferecer ou o momento de vida mudou e o trabalho não cabe mais, ou, ainda, simplesmente não era o encaixe certo desde o início.
O importante é saber diferenciar: saídas que poderiam ter sido evitadas com atenção básica são desperdícios e saídas que fazem sentido para ambos os lados são parte natural da dinâmica de trabalho. A maturidade está em reconhecer a diferença e agir de acordo.
Quando alguém bom vai embora, vale fazer a entrevista de desligamento com seriedade – não para convencer a pessoa a ficar, mas para entender o que aconteceu de verdade. Essa informação, acumulada ao longo do tempo, mostra padrões que a empresa precisa corrigir.
Conclusão
Talentos pedem demissão por motivos que geralmente poderiam ter sido endereçados. Liderança despreparada, falta de crescimento, ausência de reconhecimento, desalinhamento cultural, sobrecarga e propostas externas são os vilões mais comuns. Os sinais aparecem antes; a questão é se a empresa está atenta.
Reter pessoas boas exige consistência no básico: líderes preparados, conversas frequentes sobre carreira, reconhecimento genuíno e carga de trabalho sustentável. Esses cuidados devem começar antes da contratação, com processos seletivos que avaliam não só competência, mas coerência com a cultura.
Se sua empresa está perdendo talentos com frequência, o problema provavelmente não está nas pessoas que saem. Comumente, a causa do turnover está relacionada ao que as fez querer sair.
Se fizer sentido estruturar melhor a sua operação de Pessoas & Cultura para evitar essas saídas, podemos conversar.
Perguntas Frequentes
Por que bons funcionários pedem demissão?
Os motivos mais comuns são: relação ruim com a liderança direta, falta de perspectiva de crescimento, ausência de reconhecimento, desalinhamento com a cultura da empresa, sobrecarga crônica e propostas externas mais atraentes.
Quais os sinais de que um talento está pensando em sair?
Redução de engajamento em reuniões, queda de iniciativa, distanciamento do time, respostas mais curtas, aumento de faltas e atualização do perfil no LinkedIn são sinais comuns.
O que fazer para reter talentos na empresa?
Investir na qualidade da liderança, conversar sobre carreira com frequência, reconhecer de forma consistente, monitorar a carga de trabalho e fazer entrevistas de stay com pessoas críticas.
O salário é o principal motivo de pedidos de demissão?
Não. O salário aparece como fator, mas raramente é o motivo isolado. Geralmente, a insatisfação com remuneração só vira gatilho quando outros problemas já existem, como má liderança ou falta de reconhecimento.
O que é entrevista de stay?
É uma conversa com pessoas que a empresa quer reter para entender o que as faz continuar, o que poderia fazê-las considerar sair e o que a empresa poderia fazer melhor. Serve para agir antes que a insatisfação vire pedido de demissão.
Qual a relação entre processo seletivo e retenção de talentos?
Processos seletivos que avaliam apenas competência técnica e ignoram alinhamento cultural trazem pessoas que não se encaixam. Esse desencaixe gera atrito e, com o tempo, a saída se torna inevitável.



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